As coisas do Brasil são assim.
Serviços e equipamentos públicos, quando destinados ao uso dos ricos, têm sofisticação, luxo, conforto e são muito bem aparelhados.
As cadeiras têm encostos e de preferência são acolchoadas. Bancos duros, nem pensar. Bem-criados não suportam dorso desamparado nem tampouco bundas sobre cimento, ainda que alisado.
Para se alcançar piso superior, escadas rolantes são instrumentos absolutamente indispensáveis. Como pretender que alguma autoridade importante, ou algum “griffado” se veja obrigado a suportar esforço corporal de enfrentar de dez a quinze degraus de escada acima? Não dá.
Dondocas com calor?
Que absurdo! O ambiente tem de estar climatizado, com as potentes e modernas centrais de refrigeração em pleno funcionamento. Não só salas e dependências menores devem permanecer frias. Coisa nenhuma. O clima ameno faz-se obrigatório em todos os espaços, incluindo terraços e halls.
Clima quente não é compatível com gente de bem. A transpiração causada pelo calor pode provocar alguma reação química indesejável entre os odores dos perfumes franceses e o suor da transpiração. Deus livre a todos disso.
Faço essas breves observações para expressar o sentimento que tenho toda vez que vejo na mídia pronunciamentos indignados, quando alguns desses confortos são negados aos turistas, mas, principalmente, à dita classe média usuária do Aeroporto Augusto Severo.
Não que discorde das críticas pela incompetência dos administradores públicos em não providenciar, com a urgência necessária, os consertos e a manutenção devida daqueles equipamentos.
Nada disso.
O que me chama a atenção é que jamais se veja qualquer inconformismo, ou mesmo simples contrariedade, com o fato de a Estação Rodoviária de Natal negar aos seus humildes usuários qualquer desses confortos a que me referi acima.
Não tem ar condicionado nos espaços, onde o calor é sufocante. Não tem nem mesmo sala de embarque, quanto mais cadeiras confortáveis.
Como sentar? Que se arranjem sobre bancos duríssimos, de higiene duvidosa.
Escadas rolantes? Para que se nem terraços elevados há, com lanchonetes, restaurantes e lojinhas de lembranças.
Como é incrível que toda essa distinção seja promovida pelo Poder Público e todo mundo a considere normal, sem problema, tudo perfeito. E se fosse o contrário?
Por Daniel Costa
Por Daniel Costa

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