domingo, 9 de dezembro de 2012

Bem vindos ao deserto do Carnatal



Recebi por e-mail um texto assinado por Léo Ventura, intitulado Então é Carnatal. reproduzo alguns trechos que provocam, a meu ver, reflexões interessantes:

"Então é carnatal. Tempo de voltar no tempo. De reviver a Idade Média. De mijar e cagar nas ruas. De violentar os sentidos uns dos outros, com gritos, fedores, empurrões.



É tempo de ir à caça das fêmeas como faziam os neandertais. De agarrar-lhes à força, rasgar-lhes a roupa, forçar-lhes o beijo, mostrar-lhes quem manda, que esse negócio de feminismo é conversa fiada, um disfarce pra esconder quem ainda está no poder, quem ainda lhes tem como posse.

(...)

É tempo, ainda, de materializar as barreiras, erguer os camarotes, cercar a alegria, pôr cordas entre as pessoas, e pagar caro pelo prazer estranho de estar acima, de estar à parte.

Carnatal é a celebração da barbárie, da segregação, da hipocrisia, da involução social (...). É uma festa para os empresários ficarem mais ricos, e os pobres ficarem na mesma.

Há não muito tempo, alguns jovens ocupavam as ruas de Natal por protesto – contra aumento de passagens no transporte público. A polícia lhes surrou. Hoje, um grupo diferente se prepara para ocupar o mesmo espaço por mais tempo, e sujar, gritar, impedir. Estes serão protegidos".

  
Estou ciente da complexidade do fenômeno, que não pode ser reduzido apenas a uma dimensão (positiva ou negativa que seja), e de forma alguma considero alienados, machistas, violentos, bárbaros, neandertais ou o que for quem participa do evento.

Porém, acredito que caiba uma reflexão sobre por quê os poderes locais - que nos últimos quatro anos destruíram a cidade, a deixaram abandonada às traças, mandaram a polícia massacrar quem protestava contra essa situação, etc. - uma vez por ano gastam rios de dinheiro (público) para promover um evento que permite aos natalenses extravasarem, se esquecerem disso tudo invadindo o espaço público para engordar bolsos privados e proteger quem - aprisionado entre cordões e camarotes - bebe, pula, canta, beija e se esfrega em outros (nada contra) enquanto quem vai à rua para reivindicar seus salários, uma educação de qualidade, uma saúde digna, etc. é brutalmente espancado.

Fonte da foto: Portal NoMinuto

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