Recebi por e-mail um texto
assinado por Léo Ventura, intitulado Então
é Carnatal. reproduzo alguns trechos que provocam, a meu ver, reflexões
interessantes:
"Então é carnatal. Tempo de voltar no tempo. De reviver a Idade Média. De mijar e cagar nas ruas. De violentar os sentidos uns dos outros, com gritos, fedores, empurrões.
"Então é carnatal. Tempo de voltar no tempo. De reviver a Idade Média. De mijar e cagar nas ruas. De violentar os sentidos uns dos outros, com gritos, fedores, empurrões.
É tempo de ir à caça das fêmeas como faziam os neandertais. De agarrar-lhes à força, rasgar-lhes a roupa, forçar-lhes o beijo, mostrar-lhes quem manda, que esse negócio de feminismo é conversa fiada, um disfarce pra esconder quem ainda está no poder, quem ainda lhes tem como posse.
(...)
É tempo, ainda, de
materializar as barreiras, erguer os camarotes, cercar a alegria, pôr cordas
entre as pessoas, e pagar caro pelo prazer estranho de estar acima, de estar à
parte.
Carnatal é a celebração da
barbárie, da segregação, da hipocrisia, da involução social (...). É uma festa
para os empresários ficarem mais ricos, e os pobres ficarem na mesma.
Há não muito tempo, alguns
jovens ocupavam as ruas de Natal por protesto – contra aumento de passagens no
transporte público. A polícia lhes surrou. Hoje, um grupo diferente se prepara
para ocupar o mesmo espaço por mais tempo, e sujar, gritar, impedir. Estes
serão protegidos".
Estou ciente da
complexidade do fenômeno, que não pode ser reduzido apenas a uma dimensão
(positiva ou negativa que seja), e de forma alguma considero alienados,
machistas, violentos, bárbaros, neandertais ou o que for quem participa do
evento.
Porém, acredito que caiba
uma reflexão sobre por quê os poderes locais - que nos últimos quatro anos
destruíram a cidade, a deixaram abandonada às traças, mandaram a polícia
massacrar quem protestava contra essa situação, etc. - uma vez por ano gastam
rios de dinheiro (público) para promover um evento que permite aos natalenses extravasarem, se esquecerem disso tudo
invadindo o espaço público para engordar bolsos privados e proteger quem -
aprisionado entre cordões e camarotes - bebe, pula, canta, beija e se esfrega
em outros (nada contra) enquanto quem vai à rua para reivindicar seus salários,
uma educação de qualidade, uma saúde digna, etc. é brutalmente espancado.
Fonte da foto: Portal NoMinuto

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