terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre a polêmica Praia Shopping e Potylivros



Sábado, 24 de novembro, postei um comentário indignado no Facebook sobre a possibilidade de que a loja do Praia Shopping da Potylivros pudesse fechar a partir de dezembro, por exigência do próprio shopping. O editor do blog Nossa Natal, do qual sou colaborador, me pediu autorização para postar meu comentário e dei meu aval.
No dia seguinte, a Carta Potiguar também repercutiu o meu texto.
Essa circulação das minhas palavras e os compartilhamentos, likes e comentários que o post inicial recebeu no Facebook geraram uma reação do Praia Shopping, que na terça-feira seguinte, 27 de novembro, divulgou um comunicado de esclarecimento que também foi publicado pela Carta Potiguar (texto).
Em se tratando de um post no Facebook, não concebido como uma matéria jornalística e nem mesmo como um artigo de opinião, não citei as fontes das informações sobre as quais se baseava meu comentário. Esclareço agora que quem me forneceu todas elas foi a gerência de marketing da Potylivros e que funcionários da livraria me confirmaram o que o setor mencionado informou.
Em seu comunicado, a administração do Praia Shopping afirma que: “A mudança de localização foi feita em comum acordo. A obra foi totalmente paga pelo grupo empreendedor e foram cumpridas todas as exigências da Potylivros”. As fontes citadas da Potylivros sustentam que o shopping obrigou a loja a sair de sua antiga localização, sem possibilidade de negociação, e que no acordo que tiveram que fechar forçosamente para sair de lá estava prevista a sinalização da livraria dentro do shopping e fora dele, um compromisso que nunca foi cumprido.
A administração do Praia Shopping acrescenta em seu comunicado: “A Potylivros é uma operação fundamental para o Praia Shopping e nunca houve, por nossa parte, desejo em tê-la fora do nosso mix de lojas. Muito pelo contrário, prezamos pela operação e jamais descumprimos nenhuma cláusula contratual dessa relação locatícia”. Segundo as fontes citadas da livraria, não só a cláusula da sinalização nunca foi cumprida, o que é verificável circulando pelo shopping, como iniciativas culturais promovidas pela Potylivros para aumentar o fluxo de visitantes da loja foram abertamente sabotadas. O exemplo mais gritante, segundo a livraria, seria o de uma feira de literatura de cordel promovida pela Potylivros com a participação de repentistas e grupos folclóricos potiguares. As atrações culturais e a própria feira iriam acontecer no amplo espaço que há em frente à livraria, em um dos corredores do shopping e, no primeiro dia, assim foi.
A gerência de marketing do Praia Shopping reclamou da “ocupação do corredor” por parte de uma iniciativa que não teria a ver com o “clima do shopping” – cabe então a pergunta:
Pelos motivos alegados, a administração do shopping proibiu o uso do corredor para a feira e as apresentações de cultura popular e obrigou os stands de literatura de cordel a serem instalados dentro da livraria, atrapalhando a circulação das pessoas entre as estantes.
O episódio relatado seria, segundo as fontes citadas da Potylivros, apenas um entre os tantos boicotes que teriam sido promovidos abertamente pelo Praia Shopping contra a livraria. Sem falar, ainda segundo a Potylivros, da ameaça constantes de passar a cobrar um aluguel mais alto, insustentável pelo volume de vendas atual da livraria, ameaça que equivaleria à expulsão da loja do shopping e que – com base no que tinha sido me informado no dia em que postei meu comentário no Facebook – a administração do empreendimento tinha a firme intenção de efetivar a partir de dezembro.
À luz do exposto, fica evidente que nos encontramos diante da palavra da Potylivros contra a palavra da administração do Praia Shopping: de um ponto de vista estritamente jornalístico, não temos elementos para determinar a maior ou menor veridicidade de uma versão ou de outra e temos a obrigação de expô-las ambas, como a Carta Potiguar fez e que eu só não fiz porque ao redigir meu comentário no Facebook não pretendia escrever uma matéria para um blog, mas apenas fazer um post opinativo em uma rede social. Como pessoa e como cidadão natalense, porém, nada me impede de tomar partido contra a eventualidade do fechamento de um espaço cultural da cidade – que carece enormemente de espaços e iniciativas de promoção da cultura – provocado pela cobrança, por parte do locador, de um aluguel desproporcional à realidade de um shopping center como o Praia.
Não sei se a administração do shopping vai voltar para trás em sua pretensão de aumentar o aluguel da Potylivros após a movimentação realizada nas redes sociais e na blogosfera, mas senti o dever moral de expressar minha opinião contrária ao prevalecimento da lógica do capital sobre a da cultura e da cidadania.
porAntonino Condorelli

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