segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Eleição de Renan Calheiros: uma preocupação ética ou política?



Tenho acompanhado nestes últimos dias, com especial atenção, um movimento de pessoas dignas, cultas e muito preocupadas com a ética, tanto na esfera política, quanto na Administração Pública.


O movimento surgiu agora, 2 ou 3 semanas antes da eleição que levou o senador Renan Calheiros à presidência do Congresso Nacional.

Considero importantíssimo que um segmento desse nível da sociedade demonstre preocupação com assunto de tal natureza, a ponto de fazer correr lista de assinaturas na tentativa de estancar a escolha do alagoano, o que, infelizmente, não aconteceu.

Associo-me integralmente a essa nova visão da sociedade.

Não posso deixar de colocar para debate, todavia, algumas questões para as quais não logrei obter respostas, apesar das análises que fiz.

Talvez em virtude de inocência indesculpável, talvez por imperdoável falta de visão política.

Trago-as agora aqui para a reflexão de todos.

Por qual razão somente neste momento o movimento contrário a Renan aflorou? Seu passado de estripulias já fazia tempo não era de todos conhecido? A boa conduta ética só se torna exigível do político se ele quiser ser presidente da casa que integra? No caso de Renan, para continuar como senador, tudo bem? Nenhum problema, nenhuma coleta de assinaturas? O menino buliçoso da terra dos marechais poderia seguir tranquilo no seu mandato?

Ainda sem respostas: qual a razão da revolta se restringir aos senadores que votaram em Renan? À sua eleição, enfim? Seu currículo de traquinagens já não estava nas mãos do Procurador Geral da República, pronto para denúncia, fazia já quase 3 anos? Nada foi feito por ele senão nas 2 semanas que antecedam a escolha? Qual o motivo disso, falta de tempo? Mesmo tratando-se de delito sem maior complexidade? O abaixo assinado com os protestos pertinentes nem se lembrou do Dr. Roberto Gurgel? Por quê? Se oportunamente aforada a denúncia, certamente já teria havido julgamento e, condenado o Dr. Renan, não seria mais senador nem muito menos presidente do Senado. Tudo muito estranho.

Pra concluir: A revolta dos integrantes do movimento contra Renan decorre efetivamente    da preocupação com a ética, com o fato de se ter de suportar alguém com folha corrida manchada presidir a casa, ou é por que Renan chegou à chefia do Congresso apoiado por partidos da base do governo do PT do pouco letrado Lula?

Fosse ele candidato da oposição, sustentada pela grande mídia, estaria submetido a esse repúdio, ou já não teria sido elevado à categoria de herói nacional?

Essa reflexão vejo-a necessária para que se afastem equívocos, sobretudo entre o que se imagina ética e, na verdade, é apenas inconformismo com vitória política de segmento partidário do qual se discorda. 

Daniel F. O. Costa

Crédito da imagem: www.humorpolitico.com.br

1 comentários:

Kergimar disse...

Gurgel tá é queimando o MPU. Ainda bem que ele sai em junho. Ai Dilma indica um(a) cordeirinho(a)e tudo fica lindo de novo!!

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